Culpando a vítima e ensinando a vítima a se culpar.

Aconteceu em uma tarde dessas de verão, no meio das férias, um dia preguiçoso.

Estava com uma amiga, minha vizinha, conversando na sacada de casa. Não vou recordar o assunto agora, mas estávamos muito concentradas. Uma falava, a outra respondia. Provavelmente a conversa ainda ia durar muito. Acho até que eu tinha dado umas risadas naquele dia.

Um carro parou na frente da minha casa e o motorista ficou olhando. Minha amiga estranhou e ficou inquieta (a gente morava em uma região complicada, ela ainda não tinha se livrado do trauma de ver dois motoqueiros atirarem contra um motorista em uma rua deserta) mas eu a tranquilizei. “Não tem problema, a casa está à venda. Olha o tamanho da placa com o número da imobiliária. Tomara que seja um comprador, meu pai quer se mudar logo”.

13 ano de idade. Ingênua de mais.

Continuamos conversando, voltamos a rir (será que eu ri naquele dia?), mas depois de alguns minutos eu comecei a achar estranho também. O carro parado, o motorista olhando. Decidi encarar, meu gênio é forte e estoura rápido. Olhei nos olhos daquele homem. Ele usava óculos e cavanhaque. Percebi que ele já estava me encarando antes. Percebi que aquele olhar não era de um psicopata que queria matar alguém, aquele era o olhar de desejo e tesão de um homem. Ele estava dentro daquele carro, parado na frente da minha casa, olhando para duas crianças durante 5 minutos e se masturbando compulsivamente.

Engraçado como eu descobri o olhar de tesão de um homem. Primeiro veio a dúvida, depois o susto. Depois eu percebi o movimento dos braços e minha vontade era de me jogar daquela sacada, fechar os olhos e não abrir nunca mais. Nojo, repulsa, medo, dúvidas. Tudo passou muito rápido pela minha cabeça. Olhei para a minha amiga, ela estava com uma cara de assustada. Deve ter percebido o mesmo que eu, ao mesmo tempo.

Sem combinar, viramos as costas e fomos para dentro da casa. Sem combinar, mudamos de assunto. Sem combinar, ela foi embora. Sem combinar, nunca mais falamos sobre isso para ninguém. Nem mesmo uma semana depois, quando minha mãe comentou que muitas meninas da vila reclamaram de um motorista em um carro qualquer, e disse para que eu ficasse longe da rua enquanto a polícia não achasse o novo tarado do bairro. Eu podia ter dito “Mãe, ele já me achou, ele já me fez mal. Você pode me dar um abraço e me proteger? Eu estou com medo de sair na rua”, mas eu não disse.

Eu me culpei pelo que aconteceu por anos. Eu podia ter dito para minha vizinha que aquilo estava estranho na primeira vez que ela reclamou, entrado e achado aquele CD de funk que a gente amava, tirado ela da sacada e ensinado o novo passo que eu aprendi com minha amiga carioca. Eu podia ter gritado alto pro meu pai que tinha um tarado na rua. Eu podia não estar usando um shorts e parada naquela posição, apoiada na sacada. Acho que homens pensam que isso é atraente, talvez se eu estivesse sentada no chão como eu sempre fazia, ele não ficasse com aqueles desejos incontroláveis que os homens sentem.

Não posso falar por ela, perdemos contato e mesmo se ainda tivéssemos não sei se conseguiríamos falar sobre aquela tarde na sacada da minha casa. Mas em mim esse episódio gerou um misto de medo e revolta. Eu tinha 13 anos e não sabia o que significava “cultura de estupro” ou “culpabilização da vítima”, mas quantas vezes eu tinha ouvido que existem roupas decentes e roupas que denigrem, que existem mulheres direitas e mulheres que não se valorizam, que homem é assim mesmo e a gente tem que aprender a não provocar? É óbvio que eu ia achar que a culpa era minha. Foi por isso que eu não contei pra ninguém, foi por isso que eu perdi a chance de ir até uma delegacia identificar o sujeito. Como que eu ia chegar pro delegado e falar “A gente tava conversando, ele ficou se masturbando por 5 minutos mas eu juro que não percebi. E eu estava de shorts porque estava com calor, não queria provocar ele”. Na minha cabeça, ninguém ia entender isso, porque na minha cabeça a responsabilidade de evitar esse tipo de assédio era minha. E eu havia falhado. Que direito eu tinha de reclamar agora?

Um ano depois minha dúvida se confirmou quando eu fui até uma delegacia prestar depoimento sobre a ligação de uma amiga que tinha acabado de ser estuprada. O delegado fez de tudo para que eu dissesse que ela estava inventando, perguntou quantos namorados ela teve, se ela era virgem, e me deu os parabéns quando eu disse que ainda era, como se isso fosse relevante nessa situação. Eu sabia que não era, eu era virgem e já havia sido violentada (embora nada comparado ao que minha amiga passou), por que eu iria querer os parabéns dele? Que tipo de sociedade doente admite um delegado especializado em crimes contra a mulher que age desse jeito? A sociedade doente que pensa como esse delegado.

Vamos encarar os fatos: A gente gosta de pôr a culpa na mulher.

Comentário do meu facebook em uma foto sobre o tema: “EH,MAS INFELIZMENTE TEM MULHERS Q SE VESTEM COMO QUEM GOSTARIA DE SER (estuprada)!O MEU RESPEITO A TODAS ELAS!!”

Comentário de Danuza Leão em texto publicado na Folha de S. Paulo sobre a onda de estupros recente: “É claro que o ideal é que as meninas sejam respeitadas, mas, para isso, é preciso também que elas ajudem. As famílias devem orientar os filhos a serem seres civilizados, claro, e ao mesmo tempo ensinar às filhas a não usarem shortinhos, minissaias de um palmo, jeans que mal cobrem a virilha, tops mínimos, camisetas em cima da pele, e por aí vai. Se aos 13, 14 anos, a sexualidade dos meninos está exacerbada, não deve ser só a deles; a delas também. Desde que o mundo é mundo as mulheres gostam de provocar, de se exibir, de se sentir desejadas. Faz parte do jogo. Mas a sexualidade masculina é mais violenta e é aí que mora o perigo.” (para tentar entender o motivo de uma mulher colocar a culpa em outra em casos de estupro clique aqui)

Comentário de Gerald Thomas sobre o episódio em que enfiou a mão debaixo do vestido da mulher que tentava entrevistá-lo: “Vem uma menina, de (praticamente) bunda de fora, salto alto de ‘fuck me’, seios a mostra, dentro de um contexto chamado PANICO […] Eu, Gerald Thomas, faço a olho nu, na frente dos fotógrafos, das câmeras, das luzes, o que esse bando de carecas e pseudo moralistas gostaria de estar fazendo atrás de portas fechadas, com as luzes apagadas! A mulher não é um objeto. Mas não deveria se apresentar como tal”

Só alguns exemplos para ilustrar. Quem quiser mais é só jogar no google. Ou abrir qualquer reportagem que fale sobre estupro, descer a página até os comentários e se banquetear com o show de horrores. “Bebeu de mais”, “tava na rua de madrugada”, “tava com saia curta”, “não tentou se defender”, “prostituta reclamando de estupro???”.

Para começar: ninguém pede para ser estuprado. Como comentou uma amiga minha esses dias no facebook, se pedisse não seria estupro. Eu não coloquei meu shorts e fui correndo pra varanda pensando “Tomara que hoje apareça um desequilibrado sexual e que ele me veja de shorts e se masturbe me olhando, vou ganhar meu dia” e muito menos a Nicole Bahls vestiu o figurino dela torcendo para que um escritor mal educado e extremamente vulgar enfiasse a mão no meio de suas pernas.

Outro ponto importante é que a sexualidade masculina não é mais violenta. Homens são violentos porque são educados para serem violentos. Nossa sexualidade pode ser despertada tanto quanto a de qualquer homem. E acreditem, existem muitas coisas que vocês fazem ou falam que acabam nos provocando. A única diferença é que a gente não sai por aí colocando a culpa em vocês.

Mulher não é objeto e ponto. Não importa o que a mulher faça, fale ou vista, ela continua sendo um ser humano dotado de vontade própria. Então, não importa se é uma prostituta semi-nua que está parada na sua frente, se ela disse “não” você não tem permissão para tocar nela e se mesmo assim o fizer, sua atitude vai ser sim classificada como crime. Ou agora a profissão de uma pessoa impede que ela possa decidir com quem quer ou não fazer sexo? Achei que todo mundo tivesse liberdade para escolher.

Esse post não é sobre o meu trauma de infância nem sobre o estupro da minha amiga. É sobre a responsabilidade que nós ganhamos -ou acreditamos ter- quando sofremos abusos. É sobre tirar o foco do criminoso e colocar na vítima. É sobre como nós estamos ensinando nossas crianças que homens são bichos com instintos incontroláveis e mulheres devem se comportar de forma a não incomodá-los, ou sofrerão as consequências sem direito nenhum de reclamar.

Eu não fui a única criança do mundo a esconder um abuso sexual por acreditar que a culpa era minha e eu acabaria sendo castigada. Minha amiga não foi a única mulher do mundo a sofrer com o machismo de um delegado e ter que provar (mesmo depois de um exame médico) que havia sido estuprada. A Nicole Bahls não é a única mulher com auto-estima e orgulho do próprio corpo que é tocada sem permissão e depois chamada de vadia porque quis reclamar. Isso é comum, assustadoramente comum. E só acontece com tanta frequência porque existe consentimento. De que lado você está? Do lado que repudia qualquer violência sexual, ou do lado que pensa “Tudo bem, essa aí tava pedindo“? Do lado que cria filhas que “sabem se proteger”, ou que cria filhos que sabem respeitar? E se você começou a pensar que são os dois lados que precisam ser educados, precisa voltar ao começo do texto e ler tudo de novo. Não queremos ter a liberdade limitada para termos respeito, queremos ter respeito e ponto. Parece absurdo? Para mim parece óbvio.

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21 comentários sobre “Culpando a vítima e ensinando a vítima a se culpar.

  1. Stéphanie, ótimo texto.
    Já que você citou a Danuza Leão, quero complementar seu post e “colocar no mesmo balaio”, apesar de nem sempre isso ser certo, outras atitudes desse ícone decadente da nossa sociedade, essa grande representante do pior da nossa elite, da nossa direita, do nosso Brasil. Veja só outras palavras dessa mulher:

    “Ser especial”

    “[…] já se foi o tempo em que ir a Paris era só para alguns; hoje, ninguém quer ouvir o relato da subida do Nilo, do passeio de balão pelo deserto ou ver as fotos da viagem –e se for o vídeo, pior ainda– de quem foi às muralhas da China. Ir a Nova York ver os musicais da Broadway já teve sua graça, mas, por R$ 50 mensais, o porteiro do prédio também pode ir, então qual a graça? Enfrentar 12 horas de avião para chegar a Paris, entrar nas perfumarias que dão 40% de desconto, com vendedoras falando português e onde você só encontra brasileiros –não é melhor ficar por aqui mesmo?”

    ( http://www1.folha.uol.com.br/colunas/danuzaleao/1190959-ser-especial.shtml )

    “Assunto do dia”

    “[…] Tenho passado as noites em claro, apavorada, já que sou totalmente dependente de uma ajuda doméstica. Já tive vários tipos de vida, desde morar em apartamento grande e ter três empregadas, a um pequeno conjugado onde alguém vinha uma vez por semana dar aquele toque de talento que Deus não me deu.
    […]
    Assim é essa PEC; imperfeita, e dando pânico de contratar uma nova funcionária. E se não der certo? Demitir vai sair tão caro que trabalhar como arrumadeira será praticamente ter estabilidade no emprego, como os funcionários públicos; e demissão, praticamente, só por justa causa.”

    ( http://www1.folha.uol.com.br/colunas/danuzaleao/1254852-o-assunto-do-dia.shtml )

    Continue na sua luta.

  2. O velho hábito de naturalizar comportamentos repulsivos!
    Objetificar a mulher está longe de ser natural (a velha desculpa do “instinto animal”), mas sim cultural!
    Desejo sexual existe tanto na mulher quanto no homem, mas ninguém aqui é bicho que não consegue se controlar. Respeitar o indivíduo é obrigatório, independente do sexo, do jeito de se vestir ou coisa do tipo.

  3. De maneira nenhuma, sob qualquer circunstância, um crime como esses deveria ser tolerado ou justificado. Agora, vocês me desculpem, continuo achando que, além de exigir respeito, em primeiro lugar, as mulheres deveriam se dar ao respeito. Não que se dar respeito seja condição para ser respeitada. Mas essa contradição parece, no mínimo, incoerente. E para que a mulher se dê respeito, passa SIM por como ela se veste, como ela se porta, como ela se comporta.

    • EVIDENTEMENTE que não se pode generalizar. Mas QUANTAS mulheres, especialmente algumas que tem visibilidade na mídia, valorizam mais o seu corpo do que a sua cabeça, sua mente, suas ideias…

      • Espero que você não esteja querendo justificar se um crime sexual ocorrer com essas mulheres também. Não é crime valorizar o corpo. Os gregos antigos faziam isso muito bem. Será que eles não se davam ao respeito?

    • Você se contradiz quando quando pede que a mulher “se dê ao respeito”. Se em nenhuma circunstância um crime como esse deve ser justificado, isso também se aplica à mulher que faz o que pessoas como você classificam como “não se dar ao respeito”. Você acabou de justificar o que aconteceu comigo. Eu estava de shorts curto, apoiado em uma posição popularmente conhecida como “vulgar”. Eu não estava me “dando ao respeito”. O que é mais engraçado é que mulheres, antes de serem mulheres, são seres humanos. O RESPEITO É NOSSO POR DIREITO. Não importa o que eu faça, como eu fale, o que eu vista. Eu sou um ser humano, e ainda assim tenho direito a ser respeitada. O mais engraçado nisso tudo é que o “se dar ao respeito” é sempre jogado como NOSSA OBRIGAÇÃO, nós já nascemos culpadas de alguma coisa (algum crime imaginário, com certeza inventado por um homem) e temos o dever de conquistar o respeito de cada ser humano que aparece pela nossa frente, para pelo menos minimizarmos o fato de termos nascido mulher. Além de que, “se dar ao respeito” nunca é cobrado de nenhum homem. Por que será?

      Moço, você e machista, e foi graças a pessoas como você que eu nunca denunciei meu agressor. É graça a pessoas como você que mulheres e crianças são violentadas todo dia sem ter coragem de fazer absolutamente nada. É fácil de mais jogar a culpa na vítima. Além de ser covardia.

      • Me desculpe, mas você está sendo completamente desrespeitosa julgando alguém que mal conhece por um simples comentário! E por favor, não venha atribuir a mim os crimes que homens estúpidos, grosseiros, machistas e sem educação fazem em todo este Brasil! Tenha respeito ao falar com desconhecidos! Eu vim neste blog achando que houvesse um lugar aberto para discussão e em nenhum momento faltei com respeito a ninguém, mas pelo jeito não há esse espaço. Aliás, abri o meu comentário dizendo que sou completamente contra qualquer tipo de crime, incluindo crimes desta categoria. Não sou machista! Mas existe algo na vida em sociedade chamado respeito ao conviver com outras pessoas. E isto vale também para homens, não apenas para mulheres. Falei de mulheres porque é o assunto deste post. Quantas vezes já vi homens e mulheres mal vestidos nos mais diferentes lugares comuns: igrejas, teatros, festas, faculdades. Existem certas regras como se portar em determinados lugares. NÃO! Isso NÃO justifica um crime, se é que eu precisasse deixar mais claro a minha opinião. Porém, regras de comportamento em sociedade ainda existem. Por isso que não se pode entrar de bermudas, chinelos, regatas e saias em determinados lugares. Não fui eu que inventei essas regras. Era essa a contribuição que eu achei que pudesse dar ao debate. Mas depois dessa não volto mais a este blog.

      • Você leu o texto todo? Porque o que eu quis deixar claro é que é exatamente esse tipo de ideia que dá base para crimes sexuais, essas “regras” são usadas por toda a internet para justificar atrocidades e a ideia de mulher se dar ao respeito foi o que o delegado que “cuidou” do caso da minha amiga usou para diminuir o crime do qual ela foi vítima. Não deixei de te respeitar em momento algum, com eu disse, todo ser humano merece o respeito, mas não sou obrigada a respeitar suas ideias, principalmente se elas são usadas para legitimar a cultura de estupro do nosso país. Se tais ideias não são o que você defende, talvez você tenha se expressado mal, ou eu não tenho entendido o que você quis dizer, e nesse último caso peço desculpas. Agora se você realmente quis dizer o que eu li (sobre mulheres terem que se dar ao respeito para serem respeitadas), então eu mantenho tudo o que eu disse. Esse é sim um espaço para discussão, se não gosta que eu descorde do que você pensa não há nada que eu possa fazer sobre isso. Sou muito sincera (acho que isso fica claro nos meus textos), pensamentos divergentes são sempre bem vindos, mas nunca estarão imunes à crítica. É preciso ter consciência disso em um espaço como a internet, como dona de um blog eu sei que tenho.

      • E outra coisa: é claro que eu não estava falando sobre meninas de 13 anos, como era a sua idade no seu triste caso. Estava falando de jovens adultas e mulheres formadas, que sabem (ou deveriam saber) se portar. E este é o último comentário que pretendo fazer neste blog.

      • Mulheres adultas e formadas merecem o mesmo respeito que meninas de 13 anos.
        Elas são livres para fazer, vestir e falar do jeito que bem entenderem e isso nunca deve justificar serem tratadas de forma diferente.
        Inclusive serem estupradas. Ou verem um tarado do outro lado da rua se masturbando.

      • Bom, como acredito ter ficado abundantemente claro no meu segundo comentário, não defendo de maneira nenhuma crimes desta natureza. Em primeiro lugar, tiremos o foco das mulheres pois, apesar de ser o assunto da postagem, a minha concepção de respeito não se limita a vocês. Eu, homem, de 22 anos, não me sentiria a vontade (e em muitos lugares seria proibido) ao entrar em uma igreja, em local com crianças, em um shopping, em um tribunal, sem camisa. Inclusive, novamente, muitos destes lugares exigem uma ética ao se vestir. Não, você não precisa se respeitar para ser respeitada, não pretendi colocar como uma condição. Mas numa sociedade onde se convive, penso que tudo funciona em uma via de mão dupla; portanto, eu devo exigir um respeito dos outros, mas ao mesmo tempo, devo me portar adequadamente diante dos outros. Até porque, deixando de lado o papel de vítima, eu já vi mães e pais de crianças pequenas, por exemplo, ou acompanhados de idosos, incomodadas pela maneira como HOMENS e mulheres se vestem e se portam em determinados lugares. Novamente, não sou eu que estou dizendo, são regras mínimas de convívio em sociedade. A sua liberdade (e de todos) termina quando fere a sociedade do outro.
        E finalmente, me desculpe, mas você foi desrespeitosa sim, ao sugerir que graças a “pessoas como você (mim) que mulheres e crianças são violentadas todo dia”, sendo que sequer me conhece e sabe da minha vida/trabalho/ética/moral/família.

      • tem razão sobre a expressão que eu usei. O que eu quis dizer que é graças a ideias como essas (que são propagadas como pessoas como você) que isso continua acontecendo, não por você, mas pela ideia. Não vou editar meu comentário porque o erro foi meu e você teve todo o direito de se sentir desrespeitado, fica aqui então o pedido de desculpas e o que eu realmente quis dizer.
        Sobre a forma de se vestir ou comportamentos, não sei exatamente o que você classificaria como inadequado, isso varia bastante de pessoa para pessoa, mas temos que concordar que existem muito mais limitações direcionadas às mulheres. Acredito que isso não deveria acontecer com ninguém, seja homem ou mulher, e que essas regras, socialmente construídas e perpetuadas só servem para segregar. Eu prezo pela liberdade, desde que não seja obrigada a ver órgãos sexuais ou ouvir palavrões, não ligo para o que os outros fazem ou vestem, acho que todo mundo seria mais feliz sendo livre, fazendo o que quer e não o que é imposto por convenção cultural. Por isso eu sempre atuo no sentido de combater tais imposições. Independente disso, não acredito que uma roupa inadequada (uma saia curta na igreja, um decote no restaurante caro ou um homem sem camisa dentro de uma loja) se encaixem no caso que você citou. Não acredito que seja falta de respeito, muito menos a ponto de ferir a liberdade de outras pessoas. Entendo que são “regras de convívio”, mas não somos obrigados a concordar com elas, ao meu ver elas são extremamente prejudiciais para vários segmentos da sociedade (não só mulheres, como você mesmo disse). Também não consegui associar isso aos casos do texto…

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