Eu não quero ser aceita, quero ser respeitada!

Depois de uma longa pausa para focar em assuntos pessoais (principalmente a faculdade, que está me dando muita bagagem para postagens futuras, aguardem!), a reclamona volta. Não tinha como não me indignar, não tinha como não comentar, não dá pra fingir que nada aconteceu.

Há alguns meses eu fiz uma denúncia sobre racismo ligada diretamente ao cabelo crespo no meu facebook, relacionei uma matéria sobre o caso a episódios pessoais (nada diferente do que eu faço por aqui). Um indivíduo ficou extremamente preocupado com a situação, me xingou, disse que eu era louca, que ninguém chamava cabelo crespo de bombril e que quem estava de segregação era eu (eu!).

Pois bem, eis que em um dos poucos momentos que tenho para usar a internet me deparo com a seguinte reportagem: http://www.geledes.org.br/racismo-preconceito/21584-acusado-de-racismo-autor-ameaca-tirar-menino-negro-da-novela

Existem momentos específicos em que o racismo brasileiro fica extremamente evidente, é o caso da matéria. E existem momentos em que cidadãos negros comuns denunciam seus episódios particulares e são chamados de loucos. Vamos esclarecer bem onde está a loucura aqui.

Somos fruto de uma nação racista. Somo criados dentro de uma cultura racista. O histórico do Brasil é racista. Onde está a loucura em denunciar o racismo cotidiano que atinge a população negra? Não sei de onde surgiu essa ideia de que com o “fim da escravidão” o racismo se diluiu no ar, todo mundo deixou de ser racista, ninguém mais ensina racismo em casa nem nas escolas. Séculos de cultura racista desapareceram, pra que lutar contra o racismo?

Louco é quem acredita nessa mentira. Não existe democracia racial. Não existe igualdade nesse país. Não existe mesmo tratamento e mesmo respeito. Seria impossível que de uma hora para outra o preconceito impregnado na cultura brasileira desaparecesse. Não desapareceu! De quantas provas os iludidos da igualdade racial vão precisar?

Walcyr Carrasco quer um personagem bem aceito? Eu não quero ser aceita, quero ser respeitada! E não quero ter que raspar a cabeça de um menino negro para isso. Não quero ter que tirar meu turbante da cabeça. Não quero ter que explicar para ninguém que “cabelo de bombril” ainda é uma ofensa comum nas escolas brasileira, e que fingir que racismo não existe não vai fazer com que ele desapareça. Precisamos de políticas públicas! Precisamos empoderar a população negra! Precisamos de representatividade nas mídias!

Não acompanho novelas, mas percebi que a discussão abriu o espaço perfeito para jogar na cara do brasileiro todo o seu racismo. Sim, porque o primeiro passo é assumir que somos racistas. Lutar contra o preconceito, para Carrasco, é colocar uma mulher negra como protagonista de uma novela escravocata, mas quando uma nova oportunidade aparece, ele ameaça tirar o personagem da novela.

Essa é a representação perfeita de como temos de agir. Quando denunciamos, batemos de frente, não nos calamos e exigimos respeito, somo loucos e segregacionistas. Mas quando o racismo aparece, nos curvamos a ele e damos um passo pra trás, aí sim agradamos a “todos”. Afinal, ninguém quer ofender a “população brasileira”.

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