Viver buscando a verdade não é fácil – Por Vera Paixão

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O texto de hoje é de autoria da Vera Paixão. A Vera tem um histórico de militância no movimento negro em Curitiba de cerca de 27 anos, ajudou a fundar a ACNAP (Associal Cultural de Negritude e Ação Popular), assim como o Grupo Afro Cultural Ka-Naombo, do qual hoje eu faço parte como dançarina. Tenho um carinho especial por ela, não só pelo seu histórico mas também pelo papel que ela representa como mulher negra e me dói muito ver alguém que eu admiro tanto passar por situações racistas dentro de sala de aula. O espaço foi pedido para divulgação do desabafo e está sendo concedido com muito amor. Força Vera! Axé!

MEUS ALUNOS E MEUS AMIGOS! VIVER BUSCANDO A VERDADE NÃO É FÁCIL…
O mundo conhece o racismo brasileiro como racismo velado, o incrível é que para nós ele não existe, mesmo com tantas pesquisas e documentários afirmando como ele procede. Uma das formas é a negação da sua existência, baseados em senso comum, mas estamos em uma escola e o correto seria a busca de conhecimento, de saberes. Se passamos hoje por este momento talvez não seria a hora de conhecermos melhor para entender porque ocorreu?
Me pergunto, se não existe racismo, o que ocorre então se Curitiba e Região Metropolitana, segundo o IBGE, tem 23% da sua população sendo negra e ao andar nos corredores e olhar nos cursos encontramos apenas um ou dois representantes desta população?
O que ocorre quando vamos aos hospitais e seus funcionários em sua maioria não faz parte desta população? O que ocorre quando olhamos a mídia e não encontramos a mesma quantidade de representantes das populações brancas e negras?
Várias perguntas que só podem ser respondidas com conhecimento, é no que acredito. Mas parece que a responsabilidade é minha, porque estou me sentindo sozinha, pelo que estou passando neste momento.
Tudo que olho é contra mim, e o pior é que dizem que não, que é coisa da minha cabeça. As brincadeiras discriminatórias, as risadas e gargalhadas direcionadas, mas querem que eu acredite que eu que sou a inventora. Uma pessoa que todos conhecem a história, que nunca tive problemas em salas de aula, em Coordenar o Cursinho Pré Vestibular, em meu trabalho Cultural, em meu trabalho na defesa de Gênero. Parece que agora que estou buscando o conhecimento de uma nova profissão, com muita dificuldade, de um espaço que conquistei, não me querem lá.
Isso por causa da indelicadeza, pela forma que me tratam, estou psicologicamente abalada, hoje pensei em desistir de meu sonho, porque é tão forte os conflitos e fiquei tão sozinha, mesmo falando a verdade. Então porque falar a verdade se somos condenados, me diz! Será que é verdade que o sol brilha para todos? Então tem muita gente no escuro.
Será que mesmo estando estraçalhada dentro de uma sala de aula é melhor ir a luta em busca de dias melhores? Ou será melhor desistir e me tornar pobre de espírito, que não luta, mas também não vence?
É difícil a escolha, pois desistir do que se ama não é fácil, o mesmo acontece quando não se tem mais condições de sofrer, mas não pense que é por falta de coragem. Então, eu que sempre fui de ter bom senso, de ajudar, de aconselhar, agora estou nesta situação, eu rezo para que eu escolha a primeira opção, decida por me reestruturar e voltar na segunda feira.

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