Aprendendo a me amar

Esse texto é totalmente espontâneo, eu parei de digitar um trabalho pra vir escrever de tão impactada que estou.

Então, entre um e outro parágrafo que eu digito, eu dou uma olhada no twitter e entre essas olhadas acabo de me deparar com isso:

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Primeiro, quero dizer à Debora que ela tem todo o meu amor! Esses tweets, junto com esse texto me trouxeram a resposta para algo que vinham me incomodando de certa forma: A quantidade de fotos que eu estou publicando nas mídias sociais desde que eu raspei o cabelo.

Quando eu percebi a mudança comecei a me questionar se não estava exagerando, eu nunca tinha publicado tanta foto ao mesmo tempo nos álbuns do face, ou no meu tumblr, ou no twitter (onde ultimamente eu tenho mantido mais contato com pessoas que eu sequer conheço pessoalmente), até voltei a usar o Instagram (que também estava parado porque eu fiquei um tempo sem celular, valeu pelo presente de aniversário pai!). 

Eu mudei a forma de me ver. Não somente a minha versão atual, mas olhando as fotos antigas eu consigo identificar beleza onde nunca antes eu seria capaz. Eu consigo achar detalhes que me fazem ter orgulho de quem eu sou. Eu consigo me olhar no espelho e dizer com a boca cheia, um sorriso e lágrimas nos olhos: EU SOU LINDA.

Raspar o cabelo trouxe mais do que liberdade para mim, trouxe uma nova visão sobre o que é belo, quem eu sou, como eu quero me ver e eu gosto tanto do que me atinge quando encaro o reflexo no espelho, que quero compartilhar isso com todos, quero reafirmar minha beleza a tanto tempo escondida ou camuflada dentro de padrões inatingíveis e quero que essa libertação e esse aprendizado de amar quem eu sou também atinja outras mulheres. 

Eu reconheço que me encontro dentro de alguns dos padrões estabelecidos e por isso talvez para mim seja mais fácil me libertar. Acho que o principal deles é o fato de ser magra. Por isso peço para que as pessoas não exaltem minha magreza (principalmente porque eu já tive distúrbios alimentares, isso é muito grave gente), ou que digam que EU POSSO raspar o cabelo porque meu rosto é desse ou daquele jeito. Parem com as padronizações! Parem com as limitações! Não me elogiem NUNCA através da exposição e ridicularização do corpo de outras mulheres. Não usem o corpo de uma mulher para julgar o corpo de outra. Isso é doentio, desumano, cruel. Para reconhecer a beleza de cada uma não deve haver nenhum tipo de comparação, apenas o respeito às formas que foram colocadas no nosso corpo, no corpo que é NOSSO.

Para todas as minhas irmãs que estão aprendendo a se amar: vocês tem todo o meu apoio! Para todos as pessoas que me ajudaram a reconhecer minha beleza negra única: meu MUITO OBRIGADA, de coração! Para Henrique Cesar Soares, que após raspar o meu cabelo me olhou nos olhos e com toda a paixão desse mundo me disse “você é linda”: EU TE AMO. 

E deixo a vocês o meu orgulho de ser quem eu sou nessa página do tumblr, onde além de euzinha tem mais um monte de gente linda.

Eu me amo, eu amo a cada uma de nós e toda a felicidade do mundo está explodindo de mim para esse texto, espero que atinja vocês.

Seja você, seja linda!

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